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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Futuro daqui pra Frente

Este sou eu na busca de um emprego, buscando meu lugar no futuro. Nem sei se já quero meu lugar no futuro. Quero mesmo é empregar o presente nessa onda que tenho tido de querer viver agora o mundo todo a todo segundo; presentear o emprego das idéias de felicidade que tenho dentro de mim com a realização de cada uma delas.
Tenho que ir, me abrir com quem não conheço (e que muitas vezes nem quero conhecer), tenho que mostrar meu currículo como se eu pudesse dizer com 35 linhas o que fiz a pessoa que sou e se minhas habilidades se encaixam no perfil desejado como brinquedos lógicos para crianças de 3 anos. Minha sinceridade está ali, a postos, pronta para ser usada - em caso de necessidade. E me dizem: seja você mesmo. Não sou empresa, não sou papel, e é isto que eles querem. Querem minha caveira, minhas horas de trabalho, minhas mãos e um pouco do meu cérebro. Marx diz que querem a parte não paga de meu trabalho, e Adam Smith diz que querem minha contribuição para vencermos o concorrente (de forma justa). Já nem sei se acredito nestas ideologias - mesmo quanda até então incontestáveis - que não me mudam em nada. Vou acordar, procurar manter-me empregado, sustentar-me (sustentavelmente ou não) independentemente da luta de classes. Meus valores já beiram o lixo, e o lixo beira o esquecimento, que beira a morte dos sentimentos puros e um pouco autruístas.
Hoje, quando me pergunto o que mais vale, tenho medo das minhas respostas. Posso querer sumir, ir para o Alasca, talvez, não me importando com a sociedade e o meu antigo mundo; posso só mudar de país a cada mês e ser anônimo, ser um mendigo, embora íntegro; posso passar a viver destas queixas ou posso simplesmente aceitar: uns foram feitos sem moldura, com tinta removível e com várias tonalidades que nem mesmo os olhos podem ver. Outros simplesmente se passam por um sorriso enigmático pré-determinado que fica exposto ali, com milhões de expectadores na expectativa de compreender o seu sorriso, embora nem você mesmo saiba por que está sorrindo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Um show, nada mais

Era uma imagem especialmente linda. Havia música, havia gente, havia uma batida tão intensa em profusão com as palmas bem ritmadas de um povo admirando um espetáculo gratuito. E nada dos largos e pesados paradigmas da moda. Tudo muito alternativo, seguindo um padrão bastante fora dos padrões de belezas espetaculados nas telas das teletelas das tevês.
Coisas mesmo que se vê só na faculdade, e mais especificamente ainda na universidade pública (sem questionamentos políticos, hoje não!). Estava a banda tocando uma música diferente. Bastante interessante e agradável de ver. Um público do tamanho justo da produção do show, tudo com um profissionalismo caseiro da maior fineza possível. Era interessante ver todas aquelas pessoas que são muitas vezes rotuladas como "doidões", dentre outros rótulos mais preteríveis, se fundindo com aquela música, como que acrescentando movimento à harmonia musical ali presente. Músicos bons, e um público no ponto. Tudo isso dentro de um festival do instituto mais alternativo - o instituto de artes.
Pareciam pessoas tão livres quanto as vibrações que deixam as cordas do meu violão (mal tocado). Pareciam que era só aquilo que lhes bastava, ver uma música mal saída do forno, ainda quentinha, produzida por aqueles colegas, e eu me deliciando por esta cena um tanto quanto saborosa, ali, um pouco mais distante, quase um observador onisciente (bem queria eu ser completo onisciente, saber o que todos pensavam e sentiam). Só pensei comigo mesmo: estou no lugar que queria estar. Uma universidade no sentido original da palavra, mais próxima da universalidade que se pode encontrar num raio de muitas idéias. Sei que aqui fiz amigos muito bons, sem diminuir nem um pouco os antigos - muito pelo contrário. Mais do que nunca, sei que quero estar aqui.
Adoro minha casa, mas neste momento, minha faculdade é o meu lar. E eu vou abraçá-la com todos tentáculos que eu puder pois é único em minha vida. Onde mais eu veria uma orquestra totalmente grátis num domingo tocando polonaises, polcas, danças, marchas, sinfonias. Vejo clássicos do cinema e ainda por cima festas que tocam de Beatles a Mutantes e às vezes de graça? Um brinde a todos os que estavam nesta cena supra-citada, e mais dois brindes aos que estavam tão felizes quanto achei que estivessem. E aproveitem, que hoje é por conta da casa!