quinta-feira, 14 de maio de 2009

Twisted thoughts

"and twisted thoughts that spin
'round my head".

É só o que tem sido em minha cabeça
saudades e vontades
que não se acabam.

E esses pensamentos vazios,
tão longes de mim mesmo
e dos meus pés que caminham
para longe desse abismo
que prende o que há
dentro destes ossos
e afasta o que fica por fora.

Louco, não?
É a saudade...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Esses meus versos

Um dia convidei meus versos
para virem ao mundo,
apreciá-lo, admirá-lo,
compreendê-lo.

Covardes,
permaneceram.
Sabiam demasiado
do que era o mundo,
naquele pobre mundinho
de palavras jogadas no papel,
escritas por quem
acha que entende de mundo.

Mas, ah, aquele não era o mundo.
Aquele era um mundo
de papel,
plano.
Achatado.
Chato.

Tinham medo,
os versos meus,
desse mundo
de injustiças,
onde amores deixam-se perder,
esquecer-se,
onde o tempo passa
e é escasso.

Não viram a beleza
do mundo vivo,
estes meus versos.

Ah, como dói o amor,
e isto eles sabem da literatura,
mas nunca sentiram
a beleza de se sentirem
maiores depois de superar
tamanha perda.

Nunca viram a força de vontade
de um homem se levantar
dia após dia
sem pensar no que antes o fazia mover.
Não sentiram a beleza
de se renovar,
de serem a cada dia, diferentes.

Também,
ficam o dia todo naquela mesmice.
Esses meus versos,
tão chatos...

domingo, 10 de maio de 2009

Palavras ao vento

Cá estou eu de novo,
com minhas poucas palavras
que levo sempre na algibeira,
com meu pouco pensamento
e meu muito sentimento.

Guardo meu coração
sempre longe de minhas mãos
por que sei
que elas não fariam o certo.
Tenho de guardar meu coração
entre estes ossos
tão apertados,
e quando muito,
deixo que ele me venha à garganta
trazer meu pranto.

Fostes tu a água
que me regou o deserto
que vivia desenterrado em mim.

Mas fostes com a força
que viestes.
Foi tanta água, devastando tudo.
"Eu pedi pra chover,
mas chover de mansinho
pra ver se nascia
uma planta no chão".

Cada dia longe
me dói tanto,
mas me dói menos
pois sei que todas
aquelas estrelas cadentes
eram sinceras,
e um amor
que se ama tanto
não deixa de amar.

Só queria sentir
que sentes o que eu sinto
e todo o resto
já me seria demais,
luxo.
Só quero que fiques bem,
mas prefiro muito
que seja comigo!

sábado, 2 de maio de 2009

Choro

"O samba na realidade não vem do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração."

Ah, Noel, meu velho Noel.
Cadê meu samba
que não vem em meu auxílio?

Cada amor perdido em mim
faz chagas, e não música.
Cada lembrança tão
dolorosamente boa
não traz às minhas mãos
notas e acordes para meu violão.

Meu cantar desafinado
não me tira dos olhos as lágrimas
e não me conforta.
Meu coração não entende
de música.

Que seria de mim
sem meus mestres
que dizem tudo que não posso dizer,
numa linguagem
que todos entendem?
Sentem.

Obrigado, meus caros amigos,
sambistas e chorões
que não deixam meu choro
cair em vão!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pássaro livre

Eu era um passarinho
que voava, todo desajeitado,
torto e esquisito,
que tinha medo
de ir tão alto.

Veio você,
tão diferente de mim,
mas tão interessantemente diferente
que nos fez parecer tão iguais.
Veio você,
me ensinou a voar formosamente,
vôos de encantar fotógrafos,
de dar inveja nos outros passarinhos,
acrobacias, piruetas.

Vi as nuvens de perto,
desentortei o meu vôo
e meu canto.
Subi aos céus, tão alto,
acima de tudo que
pode ser comprado ou vendido.

Mas, olhei para o lado,
e não te vi.
Foi como se o chão aos céus subisse,
e caí tão formosamente quanto subi,
do topo do mundo,
do topo dos sentimentos.

Quebrei as asas,
meus pobres pezinhos
mal me sustentam.
Quebrei, meus caros, as asas.

Ainda não te vejo,
mas sei que tenho
que aprender a voar.
Sei que sem voar
eu não sobrevivo.

Tenho que voar
sem ter você para me ajudar,
mesmo com minhas asinhas doendo,
meus frágeis pés fraquejando,
mas devo seguir,
e devo seguir voando,
sozinho,
mesmo querendo tanto
voar ao seu lado, para sempre.

E vou seguir,
sozinho,
pois sei que estes céus,
por mais altos e grandes que sejam
não podem esconder-lhe para sempre,
e sei que vai voltar
para esse pobre pássaro
que teima em voar,
mesmo com toda essa gravidade,
toda essa dor,
toda essa saudade
do tempo em que voávamos,
pouco, embora felizes.
Felizes.

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Dedicado à passarinha mais importante da minha vida.

"A distância impede que eu te veja, mas não impede que te ame!"
Camila, EU TE AMO!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Segundo segundo

E aquele segundo se passou deixando um acontecimento de tal modo grandioso que até mesmo o segundo pretendente a presente se recusou a entrar. Foi o espaço de três segundos até que algum segundo criasse coragem para ocupar aquele vácuo. E foi nesses três segundos que nada se moveu, a gravidade violava uma lei básica e se contrariava, ficou na dúvida se puxava para cima ou para baixo, e acabou deixando parado no ar o gato que caía da árvore. Não deu tempo de se abrir as bocas, e foi enquanto tudo estava parado que a informação lhes chegava da retina aos respectivos cérebros. E nesses três segundos, processaram tanta informação quanto toda uma geração. Todo o filme da vida passou pelo menos cinco vezes para cada um; toda conta de matemática por resolver teve sua resposta dada com precisão de oito casas decimais; toda a lógica humana foi compreendida, sabendo-se, inclusive, o que Freud admitiu jamais explicar: do que as mulheres gostam.
Contudo, foi tanta informação sem tempo de processar (aquele maldito segundo se recusava a fazer o tempo marchar) que tudo perdeu-se. Ficava sempre aquele pulga atrás da orelha, todos sentiam que tiveram alguma coisa, e que era algo grande, bem grande. Mas jamais poderiam dizer o que era. Justo no momento que o cérebro ia guardar para sempre todas aquelas respostas mais comprometedoras, os corações voltaram a bater, as gotas na pia retomaram o seu pingar rotineiro e o gato espatifou-se no chão. Obviamente, foi uma brincadeira de muito mal gosto por parte daquele segundo travesso, que, no fundo, só quis ver o circo pegar fogo.
É claro, passado esse segundo um tanto inconveniente, seus superiores, os minutos e as horas, puniram-no, subjugando-o a demorar-se toda vez que tivesse de entrar. E só entraria nas horas mais tediosas, de modo a não poder se divertir. Desde então, fez-se o tédio durar, no espaço de um segundo, o que faz parecer horas, dias.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Revolução dos Bichos Revisada

Um homem que vive só de suas memórias
é um homem sem rosto,
sem vista e sem cor.
Um homem que não tem memórias,
também é um homem sem rosto,
sem vista e sem cor.

O que vive um homem
é o que sua memória guarda,
o que seu pensamento constrói,
é o que passa de sua memória,
é o que cantam suas virtudes
em virtuosas notas.

Pois o silêncio
é a escuridão da voz,
é a cegueira da boca,
a surdez das cordas.

Um homem não tem,
assim, uma definição.
Um homem, acredita-se,
acredita.
Duvida, porém.

Dúvida é a certeza do incerto,
a incerteza afirmativa,
a translucidez precisa.

Um homem escapa aos pensamentos,
às palavras que o definem,
e um homem grande ou pequeno
quem o faz são outros.
E também ele mesmo.

Um homem não precisa ser homem.
Há muita mulher
mais merecedora do título
de homem que
muito homem que se diz homem.

Um homem sempre caminha
nessa exata linha
que divide os opostos,
onde as intersecções não se definem.

Um homem.
Nem sempre se pode explicar tudo.
Nem o que é homem.
Mas todo mundo sabe,
só de um olhar,
quem é homem, quem é cachorro
e quem é porco.