A manhã é meu refúgio.
Me levanto,
tomo um banho,
para me despir
dos meus sonhos.
Amanhã é onde me escondo.
É minha desculpa
para todas as minhas
faltas de hoje.
O sol de manhã nem é tão quente,
de modo que o seu doirado
é um clarão prepotente,
embora bem sadio.
Me sinto quase tão bem
quanto na noite anterior.
Mas é que noite
não é refúgio,
mas é desnuda.
É crua, fria e calculista.
A noite é onde tudo acontece,
é onde se espera o sono
enquanto o outro lado do mundo
se livra dos sonhos.
A noite é a face privilegiada
que Rá não nos toca.
Ali, não há divindades,
e os homens tomam conta.
É quando, cansados,
nos vemos imersos
no particular de nosso mundo.
A noite é intimista,
e por isso valhe todo o esforço
da Terra girando todo dia.
Simplesmente para saber
que a cada volta
damos o ar de nossa graça
a um ente cósmico
tão mais prepotente
que nossa humilde materiazinha.
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