Eu era um passarinho
que voava, todo desajeitado,
torto e esquisito,
que tinha medo
de ir tão alto.
Veio você,
tão diferente de mim,
mas tão interessantemente diferente
que nos fez parecer tão iguais.
Veio você,
me ensinou a voar formosamente,
vôos de encantar fotógrafos,
de dar inveja nos outros passarinhos,
acrobacias, piruetas.
Vi as nuvens de perto,
desentortei o meu vôo
e meu canto.
Subi aos céus, tão alto,
acima de tudo que
pode ser comprado ou vendido.
Mas, olhei para o lado,
e não te vi.
Foi como se o chão aos céus subisse,
e caí tão formosamente quanto subi,
do topo do mundo,
do topo dos sentimentos.
Quebrei as asas,
meus pobres pezinhos
mal me sustentam.
Quebrei, meus caros, as asas.
Ainda não te vejo,
mas sei que tenho
que aprender a voar.
Sei que sem voar
eu não sobrevivo.
Tenho que voar
sem ter você para me ajudar,
mesmo com minhas asinhas doendo,
meus frágeis pés fraquejando,
mas devo seguir,
e devo seguir voando,
sozinho,
mesmo querendo tanto
voar ao seu lado, para sempre.
E vou seguir,
sozinho,
pois sei que estes céus,
por mais altos e grandes que sejam
não podem esconder-lhe para sempre,
e sei que vai voltar
para esse pobre pássaro
que teima em voar,
mesmo com toda essa gravidade,
toda essa dor,
toda essa saudade
do tempo em que voávamos,
pouco, embora felizes.
Felizes.
---------------------------------------------------------------------
Dedicado à passarinha mais importante da minha vida.
"A distância impede que eu te veja, mas não impede que te ame!"
Camila, EU TE AMO!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Segundo segundo
E aquele segundo se passou deixando um acontecimento de tal modo grandioso que até mesmo o segundo pretendente a presente se recusou a entrar. Foi o espaço de três segundos até que algum segundo criasse coragem para ocupar aquele vácuo. E foi nesses três segundos que nada se moveu, a gravidade violava uma lei básica e se contrariava, ficou na dúvida se puxava para cima ou para baixo, e acabou deixando parado no ar o gato que caía da árvore. Não deu tempo de se abrir as bocas, e foi enquanto tudo estava parado que a informação lhes chegava da retina aos respectivos cérebros. E nesses três segundos, processaram tanta informação quanto toda uma geração. Todo o filme da vida passou pelo menos cinco vezes para cada um; toda conta de matemática por resolver teve sua resposta dada com precisão de oito casas decimais; toda a lógica humana foi compreendida, sabendo-se, inclusive, o que Freud admitiu jamais explicar: do que as mulheres gostam.
Contudo, foi tanta informação sem tempo de processar (aquele maldito segundo se recusava a fazer o tempo marchar) que tudo perdeu-se. Ficava sempre aquele pulga atrás da orelha, todos sentiam que tiveram alguma coisa, e que era algo grande, bem grande. Mas jamais poderiam dizer o que era. Justo no momento que o cérebro ia guardar para sempre todas aquelas respostas mais comprometedoras, os corações voltaram a bater, as gotas na pia retomaram o seu pingar rotineiro e o gato espatifou-se no chão. Obviamente, foi uma brincadeira de muito mal gosto por parte daquele segundo travesso, que, no fundo, só quis ver o circo pegar fogo.
É claro, passado esse segundo um tanto inconveniente, seus superiores, os minutos e as horas, puniram-no, subjugando-o a demorar-se toda vez que tivesse de entrar. E só entraria nas horas mais tediosas, de modo a não poder se divertir. Desde então, fez-se o tédio durar, no espaço de um segundo, o que faz parecer horas, dias.
Contudo, foi tanta informação sem tempo de processar (aquele maldito segundo se recusava a fazer o tempo marchar) que tudo perdeu-se. Ficava sempre aquele pulga atrás da orelha, todos sentiam que tiveram alguma coisa, e que era algo grande, bem grande. Mas jamais poderiam dizer o que era. Justo no momento que o cérebro ia guardar para sempre todas aquelas respostas mais comprometedoras, os corações voltaram a bater, as gotas na pia retomaram o seu pingar rotineiro e o gato espatifou-se no chão. Obviamente, foi uma brincadeira de muito mal gosto por parte daquele segundo travesso, que, no fundo, só quis ver o circo pegar fogo.
É claro, passado esse segundo um tanto inconveniente, seus superiores, os minutos e as horas, puniram-no, subjugando-o a demorar-se toda vez que tivesse de entrar. E só entraria nas horas mais tediosas, de modo a não poder se divertir. Desde então, fez-se o tédio durar, no espaço de um segundo, o que faz parecer horas, dias.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Revolução dos Bichos Revisada
Um homem que vive só de suas memórias
é um homem sem rosto,
sem vista e sem cor.
Um homem que não tem memórias,
também é um homem sem rosto,
sem vista e sem cor.
O que vive um homem
é o que sua memória guarda,
o que seu pensamento constrói,
é o que passa de sua memória,
é o que cantam suas virtudes
em virtuosas notas.
Pois o silêncio
é a escuridão da voz,
é a cegueira da boca,
a surdez das cordas.
Um homem não tem,
assim, uma definição.
Um homem, acredita-se,
acredita.
Duvida, porém.
Dúvida é a certeza do incerto,
a incerteza afirmativa,
a translucidez precisa.
Um homem escapa aos pensamentos,
às palavras que o definem,
e um homem grande ou pequeno
quem o faz são outros.
E também ele mesmo.
Um homem não precisa ser homem.
Há muita mulher
mais merecedora do título
de homem que
muito homem que se diz homem.
Um homem sempre caminha
nessa exata linha
que divide os opostos,
onde as intersecções não se definem.
Um homem.
Nem sempre se pode explicar tudo.
Nem o que é homem.
Mas todo mundo sabe,
só de um olhar,
quem é homem, quem é cachorro
e quem é porco.
é um homem sem rosto,
sem vista e sem cor.
Um homem que não tem memórias,
também é um homem sem rosto,
sem vista e sem cor.
O que vive um homem
é o que sua memória guarda,
o que seu pensamento constrói,
é o que passa de sua memória,
é o que cantam suas virtudes
em virtuosas notas.
Pois o silêncio
é a escuridão da voz,
é a cegueira da boca,
a surdez das cordas.
Um homem não tem,
assim, uma definição.
Um homem, acredita-se,
acredita.
Duvida, porém.
Dúvida é a certeza do incerto,
a incerteza afirmativa,
a translucidez precisa.
Um homem escapa aos pensamentos,
às palavras que o definem,
e um homem grande ou pequeno
quem o faz são outros.
E também ele mesmo.
Um homem não precisa ser homem.
Há muita mulher
mais merecedora do título
de homem que
muito homem que se diz homem.
Um homem sempre caminha
nessa exata linha
que divide os opostos,
onde as intersecções não se definem.
Um homem.
Nem sempre se pode explicar tudo.
Nem o que é homem.
Mas todo mundo sabe,
só de um olhar,
quem é homem, quem é cachorro
e quem é porco.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Andei por estes caminhos
de pura rocha derretida
e lava,
num mundo surreal,
onde a realidade
acontece nos únicos
10 minutos
em que o sol se traveste de lua!
Vi palavras que envolvem
pescoços das mais lindas
damas de argila,
banhadas nas florestas
de rios e lagos,
onde qualquer ilusão
não passa da mais pura realidade.
Sei que isto são sonhos
não de um mundo perfeito,
nem de um mundo ideal.
Mas sonhos do mundo real,
o mundo que sonho habitar.
Os mais estranhos animais,
praticando os mais estranhos rituais,
celebrando chuva e fogo,
neve, vento, brisa, plantas,
lagos, rios, o sal dos mares,
com suas marés tão mais azedas,
cobertas de fitoplanctons.
Tudo num perfeito acasalamento,
numa sintonia,
um rito ao mesmo tempo
sexual e não sexual,
contrastando com a perfeita
perfídia da alta sociedade
burrocrática e apática,
a fineza do silêncio,
a crueza da tristeza
e da escuridão da quietude
dos dedos empinados
de todas as alcoviteiras endinheiradas,
tão antinatural.
Viro animal, agradeço, suplico.
Vivo essa vida simples de acasalar,
de amar,
de gozar tantas tão simples coisas...
indo além de toda casta,
toda casa, toda morada,
sobrevoando pastos de pessoas
que alimentam sonhos ruminantes,
indo além de todo chiqueiro
repleto de jovens, velhos,
que pisam no chão
sem firmeza de suas próprias
merdas, tão calculadamente
feitas e pisadas.
E lá se vai todo esse primordial sentimento:
a raiva.
Vai, e vai para bem longe.
Essa gota de chuva me cai no nariz,
tão fria e tão limpa,
me faz sentir bem.
Ainda bem que já passou
já passou,
passou,
foi.
de pura rocha derretida
e lava,
num mundo surreal,
onde a realidade
acontece nos únicos
10 minutos
em que o sol se traveste de lua!
Vi palavras que envolvem
pescoços das mais lindas
damas de argila,
banhadas nas florestas
de rios e lagos,
onde qualquer ilusão
não passa da mais pura realidade.
Sei que isto são sonhos
não de um mundo perfeito,
nem de um mundo ideal.
Mas sonhos do mundo real,
o mundo que sonho habitar.
Os mais estranhos animais,
praticando os mais estranhos rituais,
celebrando chuva e fogo,
neve, vento, brisa, plantas,
lagos, rios, o sal dos mares,
com suas marés tão mais azedas,
cobertas de fitoplanctons.
Tudo num perfeito acasalamento,
numa sintonia,
um rito ao mesmo tempo
sexual e não sexual,
contrastando com a perfeita
perfídia da alta sociedade
burrocrática e apática,
a fineza do silêncio,
a crueza da tristeza
e da escuridão da quietude
dos dedos empinados
de todas as alcoviteiras endinheiradas,
tão antinatural.
Viro animal, agradeço, suplico.
Vivo essa vida simples de acasalar,
de amar,
de gozar tantas tão simples coisas...
indo além de toda casta,
toda casa, toda morada,
sobrevoando pastos de pessoas
que alimentam sonhos ruminantes,
indo além de todo chiqueiro
repleto de jovens, velhos,
que pisam no chão
sem firmeza de suas próprias
merdas, tão calculadamente
feitas e pisadas.
E lá se vai todo esse primordial sentimento:
a raiva.
Vai, e vai para bem longe.
Essa gota de chuva me cai no nariz,
tão fria e tão limpa,
me faz sentir bem.
Ainda bem que já passou
já passou,
passou,
foi.
Poluição sonora
É quando tudo se cala,
tudo escurece,
tudo perece
que tu cantas.
Cantas para ver acender
naquela janela,
bem ali em frente,
uma luz carregada de
palavras urradas,
trovões loucos
e vozes roucas,
cheia de maldizeres,
rajadas e cortantes,
empurra para longe o silêncio
e vêem mais luzes,
tal qual vagalumes ordenados,
programados para iluminarem-se.
Esta cidade dorme,
e os sonhos nem sempre
são bons.
A lua compete com luzes dos postes,
insones.
As estrelas, esmaecem-se.
Viram nada, perecem na escuridão.
Há automóveis, longes.
Quando em vez, chegam perto
com a mesma rajada
a invadir nossos aposentos.
Esse teu canto, incompetente,
não acorda nada, nem ninguém.
Estão acordados, todos!
Estão a trabalhar,
a beber mágoas e alegrias
e a fazer amor.
Tudo, em silêncio,
essa é a regra.
Acordados em silêncio,
para não incomodar
esse silêncio!
E como acalma, como é bom.
Se cantares novamente,
palavras voltarão contra ti,
enraivadas e ecoadas.
Não grita! Me doem os ouvidos...
Vamos, temos uma noite a viver,
em silêncio, que amanhã
vem o sol com todo seu barulho.
Amanhã trabalham todos os ouvidos.
De manhã temos todos que gritar
para despertar uma cidade
já acordada.
Mas é a hora de quebrar o silêncio,
pois a luz já veio!
Aí acaba o amor,
a tranquilidade.
E assim, cada dia,
são dois:
o dia do barulho,
e o dia do silêncio!
tudo escurece,
tudo perece
que tu cantas.
Cantas para ver acender
naquela janela,
bem ali em frente,
uma luz carregada de
palavras urradas,
trovões loucos
e vozes roucas,
cheia de maldizeres,
rajadas e cortantes,
empurra para longe o silêncio
e vêem mais luzes,
tal qual vagalumes ordenados,
programados para iluminarem-se.
Esta cidade dorme,
e os sonhos nem sempre
são bons.
A lua compete com luzes dos postes,
insones.
As estrelas, esmaecem-se.
Viram nada, perecem na escuridão.
Há automóveis, longes.
Quando em vez, chegam perto
com a mesma rajada
a invadir nossos aposentos.
Esse teu canto, incompetente,
não acorda nada, nem ninguém.
Estão acordados, todos!
Estão a trabalhar,
a beber mágoas e alegrias
e a fazer amor.
Tudo, em silêncio,
essa é a regra.
Acordados em silêncio,
para não incomodar
esse silêncio!
E como acalma, como é bom.
Se cantares novamente,
palavras voltarão contra ti,
enraivadas e ecoadas.
Não grita! Me doem os ouvidos...
Vamos, temos uma noite a viver,
em silêncio, que amanhã
vem o sol com todo seu barulho.
Amanhã trabalham todos os ouvidos.
De manhã temos todos que gritar
para despertar uma cidade
já acordada.
Mas é a hora de quebrar o silêncio,
pois a luz já veio!
Aí acaba o amor,
a tranquilidade.
E assim, cada dia,
são dois:
o dia do barulho,
e o dia do silêncio!
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
A última poesia
Vês, do outro lado da rua,
aquele velhinho, a mexer a boca
e as mãos?
Aquele velho, com talvez 75 ou 80
anos nas costas,
vive assim desde os 35, talvez 40 anos.
Aquilo que sai de sua boca são palavras
de um mais antigo poeta,
tão antigo que pouco se ouve falar,
mas cujas palavras
são ecoadas por aquele
semi-analfabeto...
mal entende o que diz,
mas sabe que é bonito.
Palavras de centenas de séculos atrás,
mas palavras que se recriam,
pintam-se para as novas gerações.
Palavras que não são estáticas,
embora possuam a mesma forma,
mesma grafia.
Vês aquele velho?
O guardião dos antigos testamentos,
dos antigos legados.
Vês as pessoas em volta dele?
O evitam.
Têm medo do passado,
por que desse passado
vêm, temerosos,
o seu futuro.
Vês aquele velho?
Não cansa de citar e proferir.
Profetizar palavras antigas.
Profecias que se reciclam.
Trovões se calam
e relâmpagos se escurecem,
mas deixam permanecer
esses dizeres,
que ninguém, nem mesmo o velho,
sabe de onde vêm.
Talvez te lembres daquele velho.
Sabes?
Ele morreu. Aqui estão suas velhas
palavras.
Pausadas, no tom correto,
afinadas, embora nada musicais.
Palavras que eu, letrado,
mal compreendo, mas ainda vejo
aquela beleza resguardada por todos
séculos.
As pessoas ali não sabem,
naquele lugar, onde passam,
as palavras do futuro e do passado
viveram, radiaram,
mas ninguém as queria.
Ninguém foi ao enterro do velho,
solitário.
Aquele velho que continua,
nessas palavras que te digo,
vivo.
Essas mesmas e pausadas
palavras,
ao vento,
lento, lentas,
caminham, seguem,
durante os séculos,
com a pressa de quem
espera o mar todo evaporar
ou as lágrimas o mundo inundar.
Pois um dia serei velho,
e espero que algum
futuro velho
venha me escutar,
trazer a voz de milênios
para não acabarem no vazio
as palavras que regem o mundo.
A última poesia?
é sempre cantada, contada
e entoada.
Todas as palavras são uma poesia,
apenas.
Juntas, dizem muito mais do que algo.
Dizem tudo, tudo que se quer dizer.
Lembram-se do velho.
Lembras dele?
Vive com cada letra que anunciou sua morte
de forma tão poética
que os anjos preferiram transformá-lo
numa sublime poesia,
que diz tudo com as sutilezas
da ausência das palavras.
aquele velhinho, a mexer a boca
e as mãos?
Aquele velho, com talvez 75 ou 80
anos nas costas,
vive assim desde os 35, talvez 40 anos.
Aquilo que sai de sua boca são palavras
de um mais antigo poeta,
tão antigo que pouco se ouve falar,
mas cujas palavras
são ecoadas por aquele
semi-analfabeto...
mal entende o que diz,
mas sabe que é bonito.
Palavras de centenas de séculos atrás,
mas palavras que se recriam,
pintam-se para as novas gerações.
Palavras que não são estáticas,
embora possuam a mesma forma,
mesma grafia.
Vês aquele velho?
O guardião dos antigos testamentos,
dos antigos legados.
Vês as pessoas em volta dele?
O evitam.
Têm medo do passado,
por que desse passado
vêm, temerosos,
o seu futuro.
Vês aquele velho?
Não cansa de citar e proferir.
Profetizar palavras antigas.
Profecias que se reciclam.
Trovões se calam
e relâmpagos se escurecem,
mas deixam permanecer
esses dizeres,
que ninguém, nem mesmo o velho,
sabe de onde vêm.
Talvez te lembres daquele velho.
Sabes?
Ele morreu. Aqui estão suas velhas
palavras.
Pausadas, no tom correto,
afinadas, embora nada musicais.
Palavras que eu, letrado,
mal compreendo, mas ainda vejo
aquela beleza resguardada por todos
séculos.
As pessoas ali não sabem,
naquele lugar, onde passam,
as palavras do futuro e do passado
viveram, radiaram,
mas ninguém as queria.
Ninguém foi ao enterro do velho,
solitário.
Aquele velho que continua,
nessas palavras que te digo,
vivo.
Essas mesmas e pausadas
palavras,
ao vento,
lento, lentas,
caminham, seguem,
durante os séculos,
com a pressa de quem
espera o mar todo evaporar
ou as lágrimas o mundo inundar.
Pois um dia serei velho,
e espero que algum
futuro velho
venha me escutar,
trazer a voz de milênios
para não acabarem no vazio
as palavras que regem o mundo.
A última poesia?
é sempre cantada, contada
e entoada.
Todas as palavras são uma poesia,
apenas.
Juntas, dizem muito mais do que algo.
Dizem tudo, tudo que se quer dizer.
Lembram-se do velho.
Lembras dele?
Vive com cada letra que anunciou sua morte
de forma tão poética
que os anjos preferiram transformá-lo
numa sublime poesia,
que diz tudo com as sutilezas
da ausência das palavras.
Solidão
Todas as pessoas solitárias
que vão pelos seus caminhos,
tão solitários também.
Bicicletas, carros,
velozes perante
a velocidade da solidão,
vão lentas para o som
de suas buzinas a incomodar
os sozinhos.
Há pela rua tantos ímpares,
dos dois lados da rua,
indo, ora também indo,
num vínculo aleatório
e desbalanceado pela solidão.
Por que os sós não se buscam.
Se fecham e toda aquela nuvem
é só a carapuça, a bolha.
É dali que vem toda essa solidão
que inibe, envergonha, nos encolhe.
Os sós são só sós, embora
muitos não o queiram ser.
É que estar só é não ter companhia,
e não é tão óbvio quanto parece.
Quantas vezes estamos
frente a frente com alguém,
e ficamos sós, cada um distante,
transparente e completamente,
juntos, perdidos?
Estar só é não ouvir declarações,
de ódio ou de amor.
Principalmente de amor,
pois estar só é não amar.
Estar só a dois, e sós,
pode ser amor, pode ser cumplicidade.
Pode não ser nada, mas é sem graça!
Amar é não estar solitário,
é apreciar a ausência de pessoas,
sem, em hipótese alguma,
estar só.
Por que solidão é o contrário de amar.
Tenhamos piedade da alma
dessas almas perdidas,
partidas, andando, vagamente
vagando por aí,
errantes, e errando sem aprender,
que insistem em ser só,
sem conhecer o amor.
Por que solidão é o complemento negativo do amor.
que vão pelos seus caminhos,
tão solitários também.
Bicicletas, carros,
velozes perante
a velocidade da solidão,
vão lentas para o som
de suas buzinas a incomodar
os sozinhos.
Há pela rua tantos ímpares,
dos dois lados da rua,
indo, ora também indo,
num vínculo aleatório
e desbalanceado pela solidão.
Por que os sós não se buscam.
Se fecham e toda aquela nuvem
é só a carapuça, a bolha.
É dali que vem toda essa solidão
que inibe, envergonha, nos encolhe.
Os sós são só sós, embora
muitos não o queiram ser.
É que estar só é não ter companhia,
e não é tão óbvio quanto parece.
Quantas vezes estamos
frente a frente com alguém,
e ficamos sós, cada um distante,
transparente e completamente,
juntos, perdidos?
Estar só é não ouvir declarações,
de ódio ou de amor.
Principalmente de amor,
pois estar só é não amar.
Estar só a dois, e sós,
pode ser amor, pode ser cumplicidade.
Pode não ser nada, mas é sem graça!
Amar é não estar solitário,
é apreciar a ausência de pessoas,
sem, em hipótese alguma,
estar só.
Por que solidão é o contrário de amar.
Tenhamos piedade da alma
dessas almas perdidas,
partidas, andando, vagamente
vagando por aí,
errantes, e errando sem aprender,
que insistem em ser só,
sem conhecer o amor.
Por que solidão é o complemento negativo do amor.
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